Prenda-me e mate-me aos poucos
(Listas de aço num cárcere com datação)
Hora marcada é puxar carro-de-boi
Esforço como plantas fugindo do vaso
Corro da disciplina com trupico e foi
Correndo assim que cheguei a enxergar mais
Do que devia e ver além da permissão
- Céus! Vivo buscando a marcha-ré no avião.
Réu declarando a liberdade em campo aberto.
Braço sem corpo, tempo sem relógio de ponto
A única pena a cumprir –
É cumprir a livre expressão das conseqüências...
A rotina remando contra a maré
Eu, flores de arranjo num jardim do éden
Não sou caçador, nem presa – durmo demais.
Civilizado tido no contexto à regra.
Regra-mãe-consumista-de-veredito-e-cercania
No reflectivo Maomé e espectro
da luz.
Os dez mandamentos:
Liberte-se
De tudo persuasivo contra Deus
Da inveja belzebu odiante ao próximo
Desamarre o santo nome – sem Nós Hebreus!
E por quanto desonrar pais?
Tudo das altas correntes se anuncia:
- A culpa é que maltrata.
Pedi à rainha Libertá um beijo concubino e paguei
Tudo e o nada cobiçado
Exilado na compaixão do tempo
Cumpri a sentença
Sentado sobre uma pedra abstrata –
Altas terras sortidas num clarão invisível
Gelo e manso tremi ao vento
Com o acaso valendo-se de bússola
O infinito foi meu abrigo
Assim, fui me perdendo em meio à liberdade.
Só não me prenda ou tente aprisionar
às pessoas repetitivas, vulvas peludas
às lágrimas, sangrias, frases e rimas
Sufrágio nas distinções da relva bibliográfica.
Pois o livro antecede o passado descrito
Querem prender-me vivo na rotina?
Prenda-me e mate-me, suplico.
Existe sim, sempre existiu.
Ditam as regras, mas só obedeço as que quero.
Barba rala cabelo comprido e terno amarrotado
Ler
Discutir os motivos e perguntar o porquê
Dar ordens emotivas
Dos ricos dentro da compra desvarrida.
Finjo o que vejo e odeio vista de juízes
O sabor fingido para não desagradar
Aos pagadores da minha pseudo-mordomia
Mole cama na selvageria de pontiagudas
E boçais regras disciplinantes de primitivos
Pela mordaça da conveniência
Orgulho tal qual mar sem espuma
Titãs na alegoria da leveza social.
Preso ao que não sou de meu dono
Obedeço ao que quero e aos que ditam as regras
Coração com regimento interno
Ser livre é ser criminoso educacional
Difícil dizer e constatar a verdade
Obscuridade de brisa escura no veraneio
Balões atmosféricos presos à soberba
Aprisionados aos mesquinhos – Sol ou chuvisco?
Mentiroso aqui definha sua própria mediocridade
Vendo-me a quem não me compra
Empresto-me a que não presta e nunca prestou
Contudo, regras ditosas de atos e conflitos.
Lagartas voam, anjos sangram, poetas escravos
Poesia e escravidão - má combinação imperdoável...
Como declaradas vontades de beijos
Beijos cotidianos de quem jamais amou...
Mas os lábios colados às faces ruinosas,
Simples e descompromissadas
Deram sílabas estereotipadas a Jesus,
Deram-me livre pensamento sobrando
O que me falta é o restante
E o que resta é o bastante.
O risco da fragrância solta e inocente
De ser si
Si mesmo se não for assim
Ninguém se vale
Em confronto com a verdade escolhida.
Ao se negar
Nega-se a vida.