Não sou interessante
Nem me interessa ser
Além de uma gota no oceano
No fundo de um balde d’água
Sem pra onde se escorrer.
Quisera estar no vento ou na lágrima
Com rumo pelo rosto entristecido
A deslizar despretensiosamente até a boca
Por sob a língua me aquecer e aquecida
Ser um filete de doçura umedecida
A vasculhar as cicatrizes de um bruto
Que no pranto vê
Sua fraqueza exposta
Não sabendo que de todas as tragédias a maior
O ser não ter aprendido a chorar
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